No mês que celebra o Dia dos Povos Indígenas, experiências e histórias originárias estão se destacando além dos territórios, em Mato Grosso do Sul. Essas narrativas não apenas representam resistência, mas também são exemplos de protagonismo, inspirando tanto as comunidades internas quanto o público externo.
Nesse cenário, a Secretaria de Estado da Cidadania promoveu um painel intitulado “Indígenas que inspiram: Indígenas na Educação, na Saúde, no Agronegócio e na Justiça — Minha história, minha trajetória: como posso inspirar?”. O evento nasceu da perceção de que muitas histórias ainda permanecem desconhecidas, confinadas em seus territórios. Ao destacá-las, essas histórias têm o poder de ampliar os horizontes de novas gerações.
Quatro indivíduos de diferentes áreas participaram do painel, representando um movimento que ganha força, ainda que discretamente. Essas trajetórias refletem uma diversidade de experiências que passa a ser vista e celebrada.
Um dos participantes, o educador Flaviano Franco, destacou sua jornada marcada por desafios, mas também por um forte senso de continuidade. Criado pelos avós, Flaviano viveu em condições materiais limitadas, mas encontrou na escola uma forma de mudança, integrando sua herança cultural ao aprendizado formal.
"Eu sempre digo que o importante não é como a gente começa, é como a gente vai terminar. E, para mim, foi o estudo que mudou o rumo da minha vida."
Hoje, sua atuação vai além de transmitir conhecimentos acadêmicos, pois busca preservar e valorizar saberes indígenas, promovendo uma educação que respeita e integra diferentes formas de existência.
A médica Laysa Moreira Dorneles, do povo Terena, iniciou sua jornada muito antes da formação acadêmica. Desde cedo, trabalhou em diversas funções, garantindo a continuidade de seus estudos.
"Desde cedo eu aprendi que, se eu quisesse conquistar algo, eu precisaria trabalhar, me esforçar e não desistir."
Tainara Terena, engenheira agrônoma, alia suas formações técnicas com conhecimentos tradicionais em sua prática no agronegócio, promovendo práticas sustentáveis dentro das comunidades indígenas.
"Eu sempre procuro unir o conhecimento técnico com aquilo que a gente já sabe, que vem dos nossos pais, dos nossos avós."
Fernando Júnior, promotor de Justiça, natural de Dourados e da aldeia Jaguapiru, alcançou um espaço significativo no Ministério Público do Pará, desafiando barreiras históricas e preconceitos institucionais.
"Quando a gente chega nesses espaços, a gente carrega uma responsabilidade. A gente não chega sozinho."
O engajamento desses profissionais indígenas em suas áreas de atuação vai além da ocupação de espaços: é uma chance de transformar e tensionar instituições, mostrando que identidade e profissionalismo podem coexistir e contribuir para uma sociedade mais inclusiva.